Cristã voluntária da Cruz Vermelha é morta a tiros durante missão na Nigéria
- 14/10/2026

Uma cristã de 30 anos, que dedicava sua vida a ajudar famílias vulneráveis na Nigéria, foi morta a tiros durante um ataque armado no estado de Sokoto, no noroeste do país, em 6 de outubro.
Lydia Chinenye Nwankwo trabalhava como voluntária da Cruz Vermelha Nigeriana e integrava uma equipe humanitária que prestava assistência a comunidades afetadas pela violência e pela insegurança na região.
Segundo informações divulgadas na terça-feira (13), a equipe de cinco pessoas retornava de uma operação de campo quando seu veículo foi emboscado por homens armados, por volta das 19h, na estrada que liga Kajiji a Shagari.
Os criminosos abriram fogo contra o veículo, atingindo Lydia no peito. A cristã morreu no local.
Sua irmã, Chisom Nwankwo, contou que o corpo da voluntária foi levado para casa em uma caminhonete por volta das 23h daquela noite.
“Bandidos abriram fogo contra seu veículo”, disse Chisom, ao Christian Daily International-Morning Star News.
“Lydia levou um tiro no peito e morreu no local. Seu corpo foi trazido para casa em um veículo da Hilux por volta das 11 da noite naquela noite.”
“Ela foi aonde outros se recusaram a ir”
Outra irmã, Victoria Nwankwo, explicou que, além de colaborar com a Cruz Vermelha, Lydia atuava ao lado de um parceiro de desenvolvimento que oferecia apoio ao Ministério da Saúde do Estado de Sokoto.
Sua missão era levar assistência a mães, crianças, pessoas doentes e famílias que viviam em localidades isoladas, muitas delas afetadas por sucessivos ataques de grupos armados.
Em declaração ao Christian Daily, Victoria destacou que Lydia havia escolhido dedicar sua vida ao cuidado de pessoas necessitadas.
“Lydia não morreu porque era rica. Não morreu porque era política. Ela morreu porque escolheu ir aonde outros se recusaram a ir”, afirmou Victoria.
Segundo a irmã, a jovem deixou o conforto de sua casa para servir comunidades vulneráveis em regiões de difícil acesso.
“Ela estava lá para ajudar mães, crianças e doentes. Estava lá para levar saúde, alimento e esperança”, acrescentou.
Chisom também explicou que Lydia prestava assistência a pessoas afetadas pelas ondas de ataques terroristas no estado de Sokoto.
Cruz Vermelha lamenta morte da voluntária
A Sociedade da Cruz Vermelha Nigeriana, divisão de Sokoto Sul, divulgou uma declaração lamentando a morte de Lydia e reconhecendo sua dedicação ao trabalho humanitário.
“Lydia era uma humanitária comprometida, que dedicou seu tempo a servir comunidades vulneráveis”, afirmou Bello Bawa, representante da organização.
A entidade também manifestou solidariedade à família, aos amigos e aos colegas da voluntária.
Um morador da região, identificado como Suleiman Ayuba, atribuiu o ataque a extremistas islâmicos e destacou que Lydia era uma trabalhadora humanitária cristã.
Entretanto, a autoria e a motivação religiosa do crime ainda não foram oficialmente confirmadas.
A polícia do estado de Sokoto informou que tinha conhecimento do incidente e que as investigações estavam em andamento. Também surgiram relatos de que um inspetor policial teria sido morto no episódio.
Violência contra cristãos na Nigéria
A morte de Lydia ocorre em meio à crescente insegurança enfrentada por comunidades cristãs e trabalhadores humanitários em diferentes regiões da Nigéria.
Segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026, divulgada pela organização Portas Abertas, a Nigéria foi o país com o maior número de cristãos mortos por causa da fé no período analisado.
O país ocupa a sétima posição entre as 50 nações onde os cristãos enfrentam as maiores dificuldades para praticar sua fé.
Entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, foram registrados 3.490 cristãos assassinados no país, o equivalente a 72% das mortes de cristãos por perseguição religiosa em todo o mundo.
No norte da Nigéria, grupos extremistas como Boko Haram e a Província da África Ocidental do Estado Islâmico (ISWAP) realizam ataques contra comunidades, enquanto outras organizações armadas promovem sequestros, assassinatos e ações violentas.
No noroeste, também há atuação de grupos criminosos conhecidos como bandits, responsáveis por emboscadas e sequestros. A violência na região envolve fatores religiosos, econômicos e territoriais.
Nesse cenário, trabalhadores humanitários enfrentam riscos constantes ao tentar levar alimentos, cuidados médicos e assistência a populações que vivem sob a ameaça de ataques.











